Dívidas prescritas: Você precisa pagar dívidas prescritas?
Neste artigo, vou te contar uma história minha, real, caso que aconteceu comigo. Antes de tudo eu quero te antecipar que eu não sou advogado, não conheço com profundidade a lei nem a constituição. Mas as informações que eu pretendo te passar aqui são verdadeiras. E todos os termos sobre a lei que eu citar aqui vêm de pesquisas realizadas previamente. Quero te passar essas informações com seriedade e muita responsabilidade.
Eu tinha alguns cartões de crédito e trabalhava como mototaxista aqui na minha cidade. Eu tinha uma moto antiga com mais de vinte anos de vida e por isso eu já tinha passado por algumas decepções pelo fato da motinha ser antiga. Infelizmente a gente vive em uma sociedade em que muitas pessoas são orgulhosas ou arrogantes; não é confortável falar isso, mas infelizmente é verdade.
Pessoas que não se importam em humilhar. (apesar de ser um direito da pessoa chegar no ponto de mototaxista e escolher com quem quer ir). Pelo fato de que elas estão pagando com seus dinheiros. Porém, essas pessoas não me rejeitavam por esse motivo. Muitas vezes eu fui parado quando passava nas ruas e quando a pessoa via em qual transporte eu trabalhava simplesmente me despediam e eu seguia em frente sozinho.
Até dentro do ponto em que a gente trabalhava pela vez, e quando alguém chamava, e eu era o mototaxista que estava na vez, eu era rejeitado muitas vezes.
A necessidade de comprar um transporte novo:
Todos os colegas que trabalhavam comigo tinham transportes mais novos. E como a minha moto já tinha mais de dez anos, as pessoas simplesmente escolhiam viajar com os outros e eu sempre sobrava. Além da dificuldade por não conseguir ganhar o suficiente que eu precisava para me manter, também vinham a vergonha e a decepção.
Realmente eu ficava frustrado, com muita vergonha porque todos viam a rejeição que eu estava sofrendo ali sem ter nada que eu pudesse fazer. Eu já não via com agrado quando alguém chegava para pedir uma moto e eu estava na vez. Era uma pressão, uma adrenalina, eu não sabia se seria uma nova decepção.
Eu tinha uma grande necessidade de comprar um transporte mais novo o mais rápido que fosse possível. Tinha vez que eu tinha vontade de não ir mais, mas eu não tinha como fazer isso; eu precisava. Tinha que comer, vestir e arcar com as minhas despesas como todo mundo, claro.
Mas alguma coisa não estava certa, eu ia na concessionária e tentava comprar uma moto financiada, mas nunca aprovava. Eu tentei todas as vezes, mas reprovaram minha tentativa em todas elas. Um dia o vendedor me deu uma sugestão: abra uma conta corrente e faça uma boa movimentação. E a gente usa o extrato bancário como comprovante de renda.
Muitas pessoas que não comprovam renda já conseguiram ter financiamentos aprovados usando esta estratégia. E foi exatamente o que eu fiz, fui na época, nos correios, e lá eu abri a conta fácil do Banco Bradesco; é uma conta corrente.
O que eu fiz para movimentar a minha conta:
Os meus ganhos não eram suficientes para comprovar uma boa renda, e eu tive que usar estratégias à parte para simular uma boa movimentação na minha conta. Eu teria com que pagar a parcela da minha moto, mesmo com dificuldades, mas eu não tinha movimentações suficientes para comprovar para o banco condições necessárias para assumir o compromisso.
Então todo o dinheiro que eu ganhava eu depositava na minha conta e só depois eu usava esse dinheiro para comprar o que eu precisasse. Mas mesmo assim não era o suficiente; então eu tive que aderir a outras situações. Eu tinha os meus clientes e tive uma boa ideia, depositei um determinado valor na conta, se eu não me engano, uns 600,00. (seicentos reais)
Toda vez que alguém próximo a mim ia fazer uma compra ou à feira do mês, eu combinava com a pessoa e fazia o pagamento da compra dela usando o cartão a débito. Pagava a compra da pessoa, recebia o dinheiro dela e depositava na conta novamente.
Com essa estratégia eu fiz uma movimentação na minha conta muito acima da minha capacidade, na verdade. Mas mesmo assim não consegui aprovar o meu financiamento; tinha algo que eu ainda não sabia.
Como eu conseguir comprar a minha moto:
Na verdade, no final do ano de 2011 em uma promoção que teve lá na concessionária o preço foi um pouco abatido e foi dada a possibilidade de comparar a moto no financiamento e sem precisar de entrada. Eu sabia que eu não conseguia tirar a moto, então eu apelei a outra pessoa. Pedi ao marido de uma sobrinha minha que tinha costume de comprar motos tanto no consórcio como no financiamento.
Ele fez o financiamento da moto e foi aprovado na hora; eu recebi a moto no mesmo dia, inclusive. Mas uma coisa me chamou muito a atenção e me deixou muito triste, por sinal, diante da situação. Ao entrar na loja para resolver a questão de uns documentos, a funcionária se surpreendeu e perguntou se aquela moto seria para mim.
Respondi que não; ele não havia comprado a moto exclusivamente para mim, mas após aprovar o financiamento, ele tinha mudado de ideia e não queria mais continuar. Visto que, apesar de ter sido tentado pela promoção, ele já estava com algumas pendências e não quis arriscar assumir novos compromissos.
Por isso decidiu me entregar a moto para eu assumir o financiamento. A moça travou; simplesmente congelou e ficou olhando para mim sem nenhuma reação durante alguns segundos. Isso deixou muito claro para mim o motivo de eu nunca ter conseguido aprovar um financiamento ali.
Meu nome foi parar nos serviços de proteção ao crédito:
Recebi a moto e fui trabalhar para pagar, porém eu já tinha outras dívidas relacionadas a cartão de crédito, empréstimos bancários e agora a parcela da moto que nem ao menos estava no meu nome. Conseguir pagar tudo direitinho por alguns meses, mas depois a coisa começou a apertar para mim.
O que eu ganhava não era o suficiente para todas as dívidas que eu tinha, e alguma coisa minha começou a atrasar. Depois não teve mais como controlar e no desespero para conseguir levar em frente até a parcela da moto que nem estava no meu nome começou a atrasar também.
Fui empurrando com a barriga como diz a história, mas quando eu dei conta, a parcela da moto e as parcelas do empréstimo e as faturas dos cartões já estavam atrasadas. Percebi que eu não iria dar conta e resolvi abandonar tudo o que estava no meu CPF e tratar de contornar a situação da moto do rapaz.
Abandonei todo meu, empréstimos, cartões de crédito e outras coisas que podiam esperar, só continuei pagando certo luz e água porque cortam e eu não poderia ficar sem esses serviços. Depois de algum tempo coloquei a moto em dia, adiantei algumas pedras e senti que tudo estava mais leve, fui correndo atrás das minhas contas para ver como estavam e a possibilidade de fazer alguma coisa.
Infelizmente não deu, os juros de cartão de crédito e crédito pessoal são muito altos e eu não consegui mais pagar pelo menos naquele momento. Fui pagar somente a moto, que estava em nome de outra pessoa.
Descobrindo que eu não tinha mais dívidas:
Eu tinha usado o crédito pessoal do Bradesco para fazer um empréstimo se eu não me engano de 2.500,00 e depois fui surpreendido com a promoção da moto. Eu havia pago talvez a metade das parcelas, mas não concluí e a dívida ficou ativa.
Terminando de pagar a moto quando eu entrava na minha conta, o saldo negativo alcançava mais de dez mil reais. Eu não entendia absolutamente nada e achava que eu teria que efetuar o pagamento completo daquele valor. Eu não tinha como e só me restava desespero total; vou perder a minha casa para o banco!…
Tentei sair de uma dificuldade aproveitando a única chance que eu teria na vida. E no final descobri que a situação só ficou muitas vezes pior. Um dia fui com a minha irmã no CDL, ela queria ver se tinha alguma coisa no CPF dela. Chegando lá, eu também tive a curiosidade de ver como estavam as minhas dívidas.
Fui surpreendido com a resposta. A moça me falou que com o meu CPF não tinha nenhum problema; como assim? Perguntei só para mim, mesmo. E as dívidas que eu tenho com o Bradesco, com a CredCard e com o Banco Itaú?
Saí dali de boa, mas quase chorando, tentando disfarçar para a minha irmã não perceber nada; eu não podia chorar. Mesmo sem entender o que estava acontecendo, com a boa informação eu fui parar na loja.
Começando a descobrir as márfias:
Eu não sabia que depois de cinco anos a dívida prescreve, que não pode mais ser cobrada judicialmente, não pode mais influenciar no meu crédito e nem ser vista por empresas que buscarem informações minhas junto aos serviços de proteção ao crédito.
Portanto, até aquele momento eu não sabia o que tinha acontecido, portanto, sabendo que a dívida eu não iria ter como pagar, aproveitei aquela brecha para comprar na loja o meu primeiro smartphone. Isso deve ser só uma falha e daqui a pouco está tudo lá de novo, vou entrar na loja agora e comprar o meu celular.
Saí de lá muito feliz com o meu Samsung Galaxy J4 com dois gigas de memória que eu pensava que era grande coisa, hoje totalmente fora de linha. Mas foi com ele que eu aprendi muitas coisas e consegui ver tudo o que estava acontecendo comigo e os direitos que eu tinha sem saber.
A internet está aí e ninguém mais está desprovido das informações necessárias, mesmo que não se tenha estudado. E diante de tudo que eu já vi, vou te dizer que não pagues mais dívidas prescritas e no final deste artigo eu vou te dizer por quê.
A primeira ligação de cobrança depois de muitos anos:
Quem tem responsabilidade, compromisso e em algum momento consegue crédito em um banco e depois vê tudo desabar sem poder fazer nada quer resolver. Tudo que a pessoa quer na vida é resolver, pagar tudo e, se possível, restabelecer o seu crédito novamente com a instituição.
Após eu comprar o meu celular, eu usei o mesmo chip que eu tinha guardado há muito tempo, mas não deixei cancelar, sempre colocava crédito. Um dia recebi uma ligação, era de uma empresa que se passava pelo Banco Bradesco. Sim, é uma empresa, são os chamados escritórios de cobrança.
Na minha opinião, agem de má-fé, na covardia e de forma que deveria ser considerado crime, se não é. O cara me deu uma proposta que eu pensei que tinha acabado de encontrar a solução para todo o meu problema com o banco.
Depois de tanto tempo, tantas noites sem dormir, diante de uma situação desagradável e sem solução para mim, eu recebia a proposta que parecia finalmente pôr um ponto final em todo o problema. Pode me chamar de chorão, mas nesse dia eu estava só, fechei o acordo com o cara pelo telefone e saí dali rápido.
Chorando mesmo, em cima da moto, indo para casa, as pessoas chamavam e eu nem ao menos olhava para elas, para ninguém perceber. Mas chegando em casa, me pus a pensar, poderia ser golpe, os estelionatários têm acesso a muitas coisas. E fui ao banco para receber atendimento presencial e não correr riscos.
Como agem os escritórios de cobrança:
Geralmente quando os bancos repassam uma dívida sua para escritórios de cobrança, é porque o banco já não tem mais a esperança de conseguir receber aquela dívida de você. Para o banco está tudo acabado, você não tem mais condições de pagar e não vai pagar.
Não sei até onde isso é ou não legal (de conformidade com a lei), mas o banco repassa para os escritórios de cobrança todas as informações sobre você. Mesmo que você esteja inadimplente, entendo que as empresas deveriam manter seus dados em completo sigilo.
Mas o banco passa para os escritórios de cobrança o seu nome completo, seu CPF, seu RG, seu endereço, seu e-mail, seu celular, o valor total da sua dívida e tudo o que tiver lá sobre você. É feita ali uma negociação sem o seu conhecimento; com esse procedimento eles estão tirando de você a última esperança de você conseguir fazer uma possível negociação direto com o banco e quem sabe até tentar restabelecer o seu crédito.
Nesse momento, você não sabe, mas toda a esperança que antes você ainda tinha de solucionar o problema e conseguir restabelecer o seu crédito está sendo destruída e quando o cara ou a mulher liga para você, eles já sabem de coisas sobre você que nem você mesmo sabe.
As estratégias do escrotório de cobrança:
Os escritórios de cobrança sabem tudo a seu respeito, então eles usam estratégias covardes e mentirosas, no meu ponto de vista criminosas para fazer você se comprometer e pagar, mesmo que você não possa, a dívida que você não tem.
Isso mesmo que você leu, a dívida que você não tem. No caso você tinha uma dívida com o banco até o momento em que alguém foi lá de livre e espontânea vontade e efetuou o pagamento da sua dívida sem você nem ao menos saber.
Você não deve mais ao banco porque terceiros já pagaram a sua dívida e ela já não está mais lá. A única coisa que tem lá sobre você é uma restrição interna que vai te impedir de ter o seu crédito restabelecido. E a pessoa que pagou a sua dívida sem a sua autorização ou conhecimento, você nunca fez negócio nenhum com ela.
Você sabe quando você vai ficar devendo a esta pessoa, ou seja, o tal escritório de cobrança? Quando você cair na armadilha deles e efetuar o pagamento da primeira parcela que eles dispuserem para você na negociação.
A volta da dívida que estava prescrita:
Como foi citado lá no começo, uma dívida prescrita não pode mais ser cobrada judicialmente, não pode mais influenciar o seu crédito e nem ser mais vista por empresas que buscarem informações sobre você nos serviços de proteção ao crédito.
A partir do momento em que um escritório de cobranças te liga e te dá a opção para você quitar uma dívida que você tem com um banco, eles podem como uma estratégia te dar a opção de um parcelamento. Eles nunca compram a sua dívida completa, sempre eles compram apenas uma parte da sua dívida.
Ligam para você e te apresentam toda a dívida que você tem lá no banco incluindo todos os juros, multas por atraso e o escambal. Eles têm acesso a tudo isso e sabem que você tem a noção do tamanho que está a sua dívida lá no banco.
Então eles, se passando pelo banco, te apresentam o valor total da dívida e te dão a opção de você parcelar o pedacinho que eles compraram da sua dívida. Digamos que você devia ao banco dez mil reais, que a sua dívida com todo atraso chegou a 150 mil e eles compraram 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais).
Vão te apresentar a dívida de 150 mil e te dar a opção de pagar a sua dívida. Fazendo você acreditar que está pagando a dívida completa quando na verdade você está pagando só o que interessa a eles, que no caso seriam os dois mil e quinhentos reais parcelados.
O mais famoso truque mentiroso para te enganar:
Ao te darem a opção de você pagar a sua dívida, que no caso ele acabou de apresentar o valor total fazendo você acreditar que estaria conversando com o próprio banco e negociando toda a sua dívida sem ser verdade, eles te dão a opção de pagar a dívida parcelada.
E te fazem uma promessa mentirosa, que a partir do momento em que você efetuar o pagamento da primeira parcela automaticamente será retirada a restrição interna que existe contra você lá no banco. Isso é o golpe de misericórdia para matar quem sonhava todos os momentos da vida em conseguir contornar sua reputação junto da instituição.
Uma estratégia covarde e mentirosa por esses motivos:
- Eles não compraram toda a sua dívida, apesar de lhe apresentarem a sua dívida toda e fazerem você acreditar que está pagando a dívida toda. Depois, outros escritórios de cobrança vão surpreender você ao cobrar diferentes partes da sua dívida até que tudo se encerre.
- A restrição interna que existe contra você lá no banco não será retirada por conta de você pagar a eles. O banco nem vai ficar sabendo se você pagou a eles ou não.
- O fato de você pagar a primeira parcela que eles dispuseram para você só faz você de certa forma assinar um contrato com eles. A partir do momento em que você paga a primeira parcela deles, eles vão poder colocar o seu nome de novo nos serviços de proteção ao crédito por uma dívida que já estava precrita.
Devo pagar uma dívida prescrita?
Como eu te falei lá no comecinho do artigo, eu não sou advogado e também não tenho grandes conhecimentos sobre a constituição. Mas na minha opinião pagar ou não uma dívida prescrita vai depender muito de você mesmo. Principalmente depois que os credores vendem sua dívida para escritórios de cobrança sem pedir sua autorização ou informar você.
A dívida prescrita não pode mais ser cobrada por via judicial; isso já deixa muito claro. Mas se você se sente desconfortável em abrir o site do Serasa e ver lá as propostas de acordo e você quiser quitar!… Mas fica consciente de que você está trazendo de volta um problema que já tinha acabado. Se o prazo de cinco anos para cobrar a dívida na Justiça já se esgotou, o credor não pode mais fazer essa cobrança por via judicial.
Se essa dívida não mais diminui a pontuação do teu Score de crédito, por que não pode mais influenciar o seu crédito? Essa dívida não pode mais ser vista por empresas que buscarem informações sobre você nos serviços de proteção ao crédito. Você está com medo de quê?
Pague se for possível você pagar tudo de uma vez, se tiver que parcelar, veja se as parcelas realmente cabem com facilidade no seu bolso. Ou todo o problema que já tinha acabado vai voltar.
